Dra. Clarissa Almeida · Neuropediatra
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Sono

Sono agitado na infância: quando investigar

Por Dra. Clarissa Almeida · Médica Neuropediatra · CRM-RJ 52.90649-2 · RQE 23663 | 47273

Publicado em · Atualizado em

O sono é onde o cérebro da criança organiza o que viveu durante o dia: consolida memória, regula o humor e sustenta o crescimento. Por isso, noites mal dormidas raramente ficam restritas à noite. Elas aparecem na atenção, no comportamento e na aprendizagem.

Ao mesmo tempo, o sono infantil é naturalmente mais fragmentado e mais movimentado que o do adulto. Muito do que assusta os pais é esperado. A questão útil não é se a criança se mexe, e sim se ela dorme o suficiente, se acorda descansada e se o sono está atrapalhando o dia.

Quanto sono é esperado

Horas de sono recomendadas em 24 horas, incluindo as sonecas.
Idade Sono em 24h Sonecas e o que é comum na fase
4 a 12 meses 12 a 16 horas De 2 a 3 sonecas por dia, diminuindo ao longo do primeiro ano. Despertares noturnos ainda são comuns.
1 a 2 anos 11 a 14 horas Em geral uma soneca, no início da tarde. Resistência para deitar é típica dessa idade.
3 a 5 anos 10 a 13 horas A soneca costuma desaparecer ao longo desse período. É a fase em que terror noturno e sonambulismo mais aparecem.
6 a 12 anos 9 a 12 horas Sonecas não são mais esperadas. É a faixa em que o sono mais costuma ficar abaixo do necessário, por telas e horários.
13 a 18 anos 8 a 10 horas Há uma tendência biológica a dormir e acordar mais tarde, que se choca com o horário escolar.

São faixas de referência, não metas exatas: crianças saudáveis variam dentro e um pouco fora delas. O que mais importa é se a criança acorda descansada, se mantém o humor e a atenção durante o dia e se o horário de dormir é regular, inclusive nos fins de semana.

Comportamentos noturnos que costumam ser benignos

Esses eventos assustam, mas costumam ser benignos, têm forte componente familiar e melhoram com a idade. Piorar quando a criança está privada de sono é típico, o que torna a rotina regular parte do tratamento.

Sinais que pedem investigação

Antes de investigar, revisar a rotina. Horário regular para deitar e levantar, inclusive nos fins de semana, quarto escuro e silencioso, sem telas na hora que antecede o sono e sem cafeína no fim do dia. Grande parte das queixas de sono melhora só com esses ajustes, e eles também são necessários para que qualquer investigação seja bem interpretada.

Como é a avaliação

A consulta começa por uma história detalhada do sono: horários, ambiente, rotina, o que acontece durante a noite e como é o dia seguinte. Um diário de sono de duas semanas ajuda muito, assim como vídeos curtos dos episódios noturnos, que costumam ser mais informativos do que qualquer descrição. Dependendo dos achados, podem ser indicados exames específicos, avaliação otorrinolaringológica ou polissonografia. Na maioria dos casos, porém, o caminho passa por ajustes de rotina e acompanhamento.

Dra. Clarissa Almeida
Dra. Clarissa Almeida

Médica Neuropediatra · CRM-RJ 52.90649-2 · RQE 23663 | 47273. Formada pela UFRJ, com residências em Pediatria e Neurologia Pediátrica no IPPMG/UFRJ. Atende na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Conheça a Dra. Clarissa →

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