TDAH na infância: além da agitação
Por Dra. Clarissa Almeida · Médica Neuropediatra · CRM-RJ 52.90649-2 · RQE 23663 | 47273
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O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) talvez seja o diagnóstico mais falado e, ao mesmo tempo, mais mal compreendido da infância. Nem toda criança agitada tem TDAH. E nem toda criança com TDAH é agitada.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, com base biológica bem estabelecida. Não é falta de limite, nem consequência de "excesso de energia". E há um grupo que passa despercebido por anos: crianças desatentas e sonhadoras, sem qualquer agitação, muitas vezes meninas, que sofrem em silêncio com o rendimento escolar.
Como o TDAH se manifesta
Os sintomas se organizam em três domínios, que podem se combinar de formas diferentes em cada criança:
Distrai-se com facilidade, perde objetos, comete erros por descuido, não conclui tarefas, parece "não escutar" quando chamada.
Não para quieta, levanta da cadeira em momentos inadequados, fala em excesso, está sempre "a mil".
Responde antes da pergunta terminar, interrompe conversas, tem dificuldade de esperar a vez.
O detalhe que muda tudo: para pensar em TDAH, os sintomas precisam ser persistentes, aparecer em mais de um ambiente (casa e escola) e causar prejuízo real no dia a dia da criança. Comportamentos esperados para a idade, ou que acontecem só em um contexto, contam outra história.
Como é feito o diagnóstico
Não existe um exame único que confirme TDAH. O diagnóstico é clínico: uma história detalhada com os pais, a observação da criança, informações da escola e, quando indicado, avaliação neuropsicológica. Parte essencial do processo é descartar o que pode imitar o TDAH: problemas de sono, ansiedade, questões auditivas ou visuais, dificuldades específicas de aprendizagem.
E o tratamento?
O acompanhamento do TDAH é individualizado e costuma combinar orientação à família e à escola, estratégias comportamentais, cuidados com sono e rotina e, em casos selecionados, medicação, sempre com indicação criteriosa, acompanhamento próximo e reavaliações regulares. A decisão é construída em conjunto com a família, com espaço para todas as dúvidas.
Com o suporte adequado, a criança com TDAH pode aprender, conviver e desenvolver plenamente seus talentos, que costumam ser muitos.